Dia da Consciência negra, amarela, branca…
19/11/2009

imagem extraída do site http://macacoted.wordpress.com
Dia 20 de novembro foi escolhido como o dia da consciência negra. Eu, particularmente, sou desconfiado com essa opção de dia disso, dia daquilo…aliás quando me falam que tal dia é o dia da mulher ou das mães, ou seja lá de quem, pergunto na hora, “e de quem seriam os outros 364 dias?” A desconfiança fica por conta da suspeita de que há um certo preconceito embutido nessas datas comemorativas.
Não se trata de desmerecer ou invalidar a luta da raça negra por direitos iguais, principalmente no Brasil onde pesquisas revelam que 45% da população pode ser considerada negra. Já em 1954, o professor Oracy Nogueira apresentava um estudo Cor e Segregação no Brasil, delineando o preconceito racial em nosso país como “preconceito de marca” ou seja, “(…)quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para as suas manifestações, os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, os sotaques, diz-se que é de marca(…)”, diferente dos Estados Unidos, cujo preconceito racial predominante é o “preconceito de origem” cuja definição, segundo Nogueira, seria “(…)quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico, para que sofra as conseqüências do preconceito, diz-se que é de origem.” (Nogueira, 1979: 79).” Definições presentes no livro atualmente esgotado de autoria do professor Tanto Preto Quanto Branco. Estudos De Relaçoes Raciais. Outro grande estudioso do assunto foi o sociólogo Gilberto Freire, que embora tenha recebido críticas à sua “suposta” complacência na abordagem da escravatura no Brasil, teve o mérito de analisar a miscigenação das raças como um dos fatores primordiais para a formação do povo brasileiro e sua obra Casa grande e Senzala publicada em 1933 prestou grande contribuição aos estudo sobre preconceito racial em nosso país.
Em matéria publicada em 13 de outubro de 2001 a Folha de São Paulo trouxe a público uma pesquisa que apontava cerca de 140 processos judiciais por racismo naquele ano. Dados elaborados pela Fundação Perseu Abramo em 2003 indicam que em 8 anos o preconceito racial assumido caiu de 12% para 4% e que o preconceito manifesto indiretamente diminuiu de 87% (em 95) para 74% (em 2003). Apesar de ainda ser um índice alto, há um avanço positivo.Além dos estudos sobre o tema, volta e meia somos surpreendidos por alguma notícia sobre preconceito racial velado ou explícito. Ainda ecoa na memória coletiva o caso da repórter Glória Maria, impedida de entrar num hotel na década de 70 pela sua cor. Recentemente, o autor Manuel Carlos, famoso por suas novelas centradas numa personagem de nome “Helena”, escolheu a atriz negra Taís Araújo para o papel, algumas cenas da novela tem causado polêmica entre a comunidade negra, Taís tem sido alvo de críticas por sua atuação “fraca” e pela pouca representativade para os negros. Mesmo com todos os fatos apontando para a existência de racismo no Brasil, questiono o dia da Consciência Negra por uma razão muito simples. O ser humano, desde o início da civilização, demonstra uma tendência pouco edificante de discriminar minorias,haja visto o Holocausto nazista, a condição sub-humana das mulheres em algumas culturas árabes e o próprio
preconceito sofrido pelos povos latino americanos diante das superpotências mundiais.No Brasil, uma multidão de anônimos de todas raças e cores
perambula pelas ruas discriminados pelo restante da sociedade, rotulados como indigentes ou sem teto. Para mim este feriado seria mais razoável se a data estivesse retratando não a cor da pele de um determinado grupo e sim a cor da consciência em si, enegrecida pelo egoísmo latente na humanidade pelos crimes cometidos diariamente contra indivíduos que possuem cor, credo, gênero, religião,condição financeira ou costumes diferentes dos padrões estabelecidos por uma determinada elite.
Links de referência sobre o tema
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16 Comentários
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Olá, boa noite!
Gostei muito de ler o teu artigo. Basicamente concordo com a tua posição critica no que respeita ‘ao dia de’. Também eu sinto nesses dias especiais um sabor amargo de discriminação.
Quanto ao resto da informação, alguns números para mim são novidade – e assustadores – no entanto, parece-me que estão a melhorar a olhos vistos.
Abraços
Luísa
Boa noite Luísa,
Obrigado. De fato os números sobre o racismo são assustadores, mas sinto uma certa demagogia na forma de tratar a questão no Brasil, as cotas, o feriado, etc. De qualquer forma, é válido levantar a questão. Um bom final de semana para você.
Adilson
poxa adorei por fato de eu ser negra
eu sou sua maior fa
gostei muito de ler o artigo.especialmente de ver a foto da minha actris favorita
boa a tarde
eu sou empresario negro aqui nos estados unidos eu so tenho uma coisa a dizer nos negros e que temos mas medo do racismo chegou a hora de virar a pagina ……….se n gostam da cor nos tambem nao gostamos das outras cores
abracos
se ofensas
O Dia da Consciencia Negra nao tem como objetivo deflagar uma onda de racismo no Brasil na sua forma mais explicita como muitos teimam em afirmar .O Dia da Consciencia Negra tem por objetivo resgatar uma luta historica de um povo ,resgatar também uma injustiça histórica ,sofrida pela opressão do povo negro . O dia da Consciencia Negra vem dizer ao Brasil que esse povo em sua história lutou por um bem maior , a liberdade .Entao é justo destacar o valor e a importancia histórica da luta de uma gente valente, que de alguma forma resistiu a escravidao .Para aqueles que teimam em achar q racismo e preconceito manifestam-se no Brasil só na quesão economica pergunto: por que nos dados do IBJE, a pobreza , o analfabetismo, mortalidade infantil, os salarios mais baixos ,tem a“ cor do negro“? Não sejamos hipócritas . A segregaçao contra o negro no Brasil é cruel sim. É preciso reparar essa injustiça ou melhor essa divida que a sociedade brasileira tem para com o povo negro.Afinal,foram as mãos escravas que muito antes dos imigrante terem aqui chegado, construiram com seu sangue esse país chamado Brasil.VIVA ZUMBI!!!!!!
gostei muito do foco artigo claudia
Arazoo amiga
Gostei mto tá d parabéns
Boa Noite, gostei muito de estar lendo este artigo, principalmente por eu estar estudando este assunto. Primeiro, gostaria de deixar bem claro que devemos sempre respeitar as etnias, principalmente negra. Apesar de sermos todos iguais, devemos respeitar! Abraços, Mari.
gosyto muitos doas ps q são negars vms para de rascimo
eu sou fa de vcs emanuele e mayra um beijo
Obrigado Emanuele,
O blog estava completamente abandonado por contingências da vida, mas estamos de volta…
A negra e branca uniao em paz!!!
abraco bjs
A negra, a branca e a esperança de um mundo melhor multicolorido e de paz! Abraços.