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Crônicas cotidianas – Afetos e desafetos da infância

23/11/2009

Outro dia encontrei um amigo de ginásio na fila do supermercado. Ele se aproximou , disse meu nome e ficou plantado aguardando uma reação. De início fiquei um pouco constrangido pois apesar  dele me parecer  familiar, não estava conseguindo lembrar donde o conhecia. Passados alguns segundos que pareceram séculos, o rosto dele foi saindo do limbo das memórias apagadas e de repente pimba! Lembrei, era o Ricardo que fizera a quinta série comigo. Conversamos um pouco, perguntamos da vida um do outro e nos despedimos sem ao menos trocar números de telefones. Engraçado a quantidade de pessoas que passam pela vida da gente. Algumas marcam para sempre, outras parecem que serão eternas, mas por artimanhas do destino tomam  rumos diferentes e nunca mais as vemos.

O Ricardo é um exemplo disto. Quando éramos garotos, vivíamos grudados para cima e para baixo aprontando o diabo. O ano letivo acabou e a família dele mudou-se para o interior. Num instante, uma amizade que parecia que ia durar para sempre se esvaneceu no ar.

E a primeira namorada? Com exceção de uns poucos namoricos de infância que acabam em casamento, a maioria desaparece da vida da gente sem deixar vestígios. Imagino que aparência deve ter a Elzinha depois de tanto tempo. Talvez tenha se tornado uma matrona gorda e mandona, talvez uma morena de parar o trânsito. Prefiro  não saber, pois a Elza que mora dentro de mim vai ser sempre a menina que fazia o mundo ficar mais colorido quando passava, aquela que me deu o primeiro beijo. Insuperável.

Curioso seria encontrar os desafetos, aqueles sujeitos com quem trocamos socos e pontapés pelos motivos mais estapafúrdios  – a fila na hora do recreio, um olhar meio atravessado, a garota mais bonita da rua, entre outros. Se fossemos tirar antigas diferenças, não sobrava ninguém vivo,  naqueles tempos o máximo que conseguíamos era um olho roxo ou algum hematoma leve.

Das lembranças da infância, algumas sobrevivem e acabam se transformando num porto seguro para os momentos difíceis da vida, como se entrássemos numa máquina do tempo e fóssemos nos refugiar naquele instante do passado aonde um momento especial aconteceu. Dependendo da sorte, podemos contar com vários. Seja um carinho de mãe na hora da doença, uma viagem para casa dos parentes, tanto faz, o que importa é a sensação reconfortante. Complicado é o inverso, quando alguma coisa fica mal resolvida e se transforma num fantasma, povoando os sonhos, provocando calafrios cada vez que lembramos. No meu caso, se algum leitor conhecer a Daisy da casa dezessete e souber onde ela está morando atualmente, mandem o endereço, o cronista agradece.

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