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Prometeu – Um poema sobre as armadilhas do amor

28/11/2009

Pintura de Elsie Russell

Não hei de querer  do teu olhar

 

Mais do que a plenitude do Eterno

 

pulsante nas asas da inocência,

 

Ainda que meu desejo diga não.

 

Não hei de querer menos do que a nudez

 

Da tua alma, cujas vestes o silêncio lançou ao vento,

 

Ainda que meu corpo diga sim.

 

Não hei de querer nenhum querer

 

Sem  antes ter palmilhado  fronteiras precisas

 

Entre a loucura e a razão

 

Ainda que minha alegria diga talvez.

 

Mentiram  os poetas!

 

A paixão, jaz despedaçada pelas garras do tempo,

 

Não há rima ou métrica que salve os amantes da própria fúria,

 

Da rispidez do pó da estrada

 

Da mesquinhez dos anões que habitam  calabouços

 

Da rigidez da carne sobre a carne.

 

Se ousar amar-te, hei de beber do cálice apenas parte

 

Sem  alcançar no todo o  sublime sabor.

 

Vai ! Antes que seja tarde

 

Já ronda o abutre sob o comando dos deuses

 

Não é possível conhecer  as chamas do Olimpo

 

Sem ter as entranhas dilaceradas um pouco a cada dia

 

Sem ter o corpo atado ao cume da montanha. Vai!

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2 Comentários leave one →
  1. 28/11/2009 1:28 PM

    Adilson,

    Maravilhoso poema.

    Tudo que nos remete à mitologia é fantático.

    Parabéns!

    Bjs.

    Rosana Madajrof.

    • 28/11/2009 2:37 PM

      Obrigado Rosana,

      A mitologia está presente entre nós mesmo quando não nos damos conta disso.

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