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Pequeno breviário da corrupção no Brasil

14/12/2009

A Chegada da Família Real de Portugal, por Geoff Hunt

A sociedade brasileira assiste perplexa a uma escalada estonteante da corrupção em nosso país. Não que o fenômeno em si seja recente, aliás a prática da “mutreta” remonta ao tempo do Brasil Colônia, protagonizada pelos funcionários públicos que nomeados pela Coroa para fiscalizar e combater o contrabando, deixaram-se levar pelo canto da sereia e renderam-se lascivamente ao vício da prevaricação da coisa pública. O tempo passou e essa senhora de vida fácil foi se transformando junto com a história.
No Brasil República deitou-se com a política e pariu  filho bastardo – o voto de cabresto. Essa prática que  consistia na imposição do candidato apadrinhado pelo dono do latifúndio (coronel) aos eleitores de seu “curral” chegou a requintes esdrúxulos. Conta a história que em algumas províncias o eleitor recebia como pagamento pelo seu voto apenas um sapato, o outro era dado
somente após a apuração dos votos.
Do tempo do Brasil Colônia para os dias de hoje muita lama rolou embaixo da ponte (acompanhe abaixo os maiores escândalos políticos
do Brasil )mudaram nomes, partidos e personagens mas a velha senhora corrupção continua altiva e pior, está escandalosamente organizada.

ti-rinha do Rob Maia

No tempo da internet, do voto eletrônico quadrilhas transvestidas de cargos públicos desafiam despurodamente a justiça e a paciência do “homo brazilis” transformando o tesouro nacional em caixa de fluxo de negociatas e esquemas numa verdadeira orgia. A quantidade de ratos que estão alojados sob as almofadas do trono é tanta que faz lembrar uma praga bíblica.

Está mais do que na hora de tomarmos uma atitude. Essas coisas não mudam do dia para a noite. Temos urgência. Exigir transparência de nossos governantes, blindar o voto se informando dos antecedentes do candidato podem atenuar o problema. Mas acima de tudo isso, tenho cá para mim que precisamos de medidas mais profundas. Mário de Andrade, grande escritor do modernismo, escreveu uma síntese indigesta do povo brasileiro na obra Macunaíma. Nela, o herói “sem caráter” nasce índio e negro, depois se transforma num príncipe loiro, bicho e assim vai se metamorfoseando no decorrer da narrativa. Pela via da sátira Mário construiu um modelo coerente da psiquê nacional ao retratar um anti-herói numa saga pela recuperação de seu talismã, o muiraquitã. Cabe a comparação. Somos todos um pouco Macunaímas, em busca de nossa identidade, nosso muiraquitã. Convivemos com o arquétipo da colonização,  do caldeirão de raças, dos resquícios da escravatura enfronhados em nossas personalidades, do complexo de inferioridade coletivo daí a carência afetiva nacional, o desejo de ser visto como um povo dócil e hospitaleiro. O presidente da república fala um palavrão em rede mundial e ficamos orgulhosos pela espontaneidade de vossa excelência, estamos sendo jantados crus na farsa cirsense de “golpenhage”  e sorrimos ingenuamente para os farelos lançados ao chão na mesa de banquetes, e se tudo isso passa pela recuperação da auto estima, da aceitação das diferenças, também passa pela Educação, essa pobre senhora, mas isso já é outra história…

Excelente artigo da Profa. Dra. Rita Biason Departamento de Relações Internacionais da UNESP sobre a história da corrupção no Brasil


Compilação dos maiores escândalos políticos da História do Brasil

Link para o livro Macunaíma, de Mário de Andrade – Livraria Cultura


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8 Comentários leave one →
  1. 14/12/2009 11:20 PM

    Adilson, a matéria está excelente. Quanto ao uso da minha tirinha, perfeito. Sobre isso só tenho mesmo a lhe dizer…. MUITO OBRIGADO! Sucesso pra você. E parabéns pelo blog, cada vez melhor. Abraços, meu amigo!

    • 15/12/2009 7:31 AM

      Obrigado Rob, é um prazer ter o seu trabalho de excelente qualidade no eu blog e sucesso prá você que você merece!

  2. 15/12/2009 12:28 PM

    Muito bom seu artigo
    Com sua autorização quero copiá-lo para incrementar minhs aulas de sociologia no Ensino médio.

    Sucessos

    • 15/12/2009 12:39 PM

      Caro professor Aparecido,

      Obrigado. Fique à vontade, é uma honra para mim. Espero que seja útil em sua aula. Abraços,

      Adilson Pereira

  3. marcosmolina26 permalink
    19/12/2009 12:04 AM

    Eu só estou observando tudo e aprendendo como ter excelentes matérias,um dia eu chego lá, parabéns.

  4. 20/12/2009 4:28 PM

    Obrigado Marcos, é um estímulo e tanto saber que você está apreciando!

  5. nao falo permalink
    22/09/2011 10:07 PM

    que merdaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa pohaaaaa ta horivel

  6. 22/01/2012 2:09 PM

    A política deveria ser exercida por “homens” de caráter inquestionável. Quando vamos ver as leis serem aplicadas com isonomia de poderes para os legisladores brasileiros? Precisamos levantar a voz para que a nossa indiginação seja ouvida. Como já dizia Tiradentes “se todos quisermos, poderemos fazer deste país uma grande nação”.

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