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Grupo Flor do Lácio na Casa das Rosas

15/01/2010

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Domingo dia 17 de Janeiro o Grupo Flor do Lácio apresenta o espetáculo “O Bonde Samba” na Casa das Rosas (Av. paulista,37) como parte das comemorações pelo aniversário de São Paulo a partir das 15h. A entrada é franca.

 

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Grupo Flor do Lácio

Grupo Flor do Lácio
Formado em 2008, o grupo Flor do Lácio nasceu da amizade de
seus quatro integrantes que compartilham uma paixão antiga pela
Música Popular Brasileira.
Tocando juntos em ocasiões esporádicas desde 2005, foi a partir
do projeto Bonde Samba que o grupo resolveu assumir definitivamente a afinidade musical e levar à frente a bandeira de apresentar ao público uma mescla de resgate da mais fina tradição do samba e da música popular brasileira embalada por textos em verso e
prosa que complementam saborosamente o repertório do grupo.
Sua formação é composta por Adilson Pereira, Katia Berenice,
Ricardo Sigolo e Luzia Sigolo Bicudo (Shu).
Em 2009 o grupo lançou o projeto Sarau Musical do Amor
Romântico, espetáculo que mistura poesia, teatro e música com
uma criativa interação com a platéia que vem arrebatando fãs entre
público e crítica nas inúmeras apresentações feitas em teatros de
escolas, livrarias e centro culturais.

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O Bonde Samba

O público é convidado a ingressar numa viagem de bondinho pelas sinuosas curvas da história do samba, com direito a paradas em famosas estações representadas por compositores do calibre de Noel Rosa, Enricão, Germano Mathias, Paulo Vanzolini, entre outros. Durante o percurso, algumas histórias e causos do samba, interpretados pelo condutor do bonde, Adilson, ajudam a compor o retrato de uma época. Grandes sucessos do samba de todas as épocas são interpretados por Katia Berenice ao som do violão de Richard e da percussão da Shu.

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A CASA DAS ROSAS

A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura – é um local de celebração da poesia, da literatura e da arte em geral. Localizada no coração de São Paulo, a Casa serve de cenário para a efervescência da vida cultural.

Terremotos, enchentes e outras tragédias – espetáculo midiático ou oportunidade de exercitar a solidariedade

14/01/2010

A Guerra do Golfo, iniciada em 1991 inaugurou um marco na história da comunicação. Pela primeira vez, o mundo pôde assistir ao vivo e em cores o disparar de mísseis, projetéis e demais artefatos pela televisão e internet. Atualmente, somos informados em segundos sobre o terremoto no Haiti, as enchentes no litoral e o incêndio na favela da Rocinha paulistana.

A informação dessas e outras tragédias provocadas pelo ser humano ou em decorrência da ação da natureza fazem parte de um mundo conectado instantâneamente, bidimensional e muitas vezes frio em suas emoções.

A escolha entre assistir esses fatos como mais um espetáculo midiático ou aproveitar a oportunidade de acesso a informações em tempo real sem precedentes na história para refletir  e exercer a solidariedade é de cada um.

Para os que optarem pelo espetáculo, os avanços tecnológicos prometem para breve televisores com imagens em 3D. Para os que escolherem a solidariedade, resta a oportunidade de trabalhar incansavelmente pela construção de um mundo melhor.

Como ajudar as vítimas do terremoto no Haiti

ONG Viva Rio:
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta 5113-6

Cruz Vermelha
Banco HSB
Agência 1276
Conta 14526 – 84
Aos interessados em fazer depósito online, o CNPJ do Comitê Internacional da Cruz Vermelha é 04.359688/0001-51.

Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71

Informações sobre brasileiros no Haiti(Ministério de Relações exteriores aberto 24h)

(0xx61) 3411.8803
(0xx61) 3411.8805
(0xx61) 3411.8808
(0xx61) 3411. 8817
(0xx61) 3411.9718
(0xx61) 8197.2284.

Site da Cruz Vermelha para auxiliar na busca de informações sobre pessoas no Haiti

ONG do músico haitiano Yelé Haiti, que está recebendo doações para as vítimas do terremoto. Acesse o link, clique em donate e preencha os dados de cartão de crédito, etc

300 Discos importantes da música brasileira

13/01/2010

Uma característica marcante no ser humano é rotular, compilar, dimensionar, talvez seja  uma tentativa arquetípica de entender e controlar o mundo ao seu redor. Em decorrência dessa necessidade, surgem as listas. Os 100 melhores disto, os 50 maiores daquilo, e por aí vai. Listas são sempre redutoras, mas úteis. Importante é  conhecê-las sem perder o senso crítico. Algo similar a manter em mente que o concurso de miss mundo certamente não privilegia as mulheres mais bonitas do mundo, muitas sequer sabem da existência do evento, outras simplesmente não estão interessadas em participar.

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Acaba de sair um livro interessante com a proposta de apresentar os 300 discos importantes da Música  Brasileira de Charles Garvin, baterista dos Titãsgavin_foto pela Editora Eu sou da Paz. Com textos dos jornalistas Tárik de Souza, Carlos Calado e Arthur Dapieve, o livro traz encartados dois discos históricos em CD: “O último Malandro” (1959), de Moreira da Silva, e “Baterista: Wilson das Neves” (1968), de Elza Soares. O livro apresenta capas e resenhas de discos da MPB lançados entre 1929 e 2007. A seleção certamente irá provocar controvérsias quanto a esse ou aquele trabalho excluído da lista, mas trata-se, levando em consideração a ressalva quanto às listas, de um belíssimo e competente trabalho de pesquisa e resgate da memória musical brasileira com a vantagem de apresentar o conteúdo num acabamento gráfico primoroso ao longo de suas 436 páginas.

Apesar de não fazer parte da obra, vale a pena citar que existe um blog muito interessante  baseado no livro chamado 300 discos importantes da Música Brasileira que a partir da proposta do livro, traz uma série de imagens, links para download e informações complementares utilizando a pluralidade de recursos que a internet possibilita. Vale a pena comprar o livro (apesar do preço meio salgado – R$230), acessar o blog e ver o filme, se um dia resolverem fazer…

(Entrevista sobre o livro)

Informações Complementares

Charles Gavin na Wikipédia

Site oficial dos Titãs

Blog 300 discos importantes da Música Brasileira

Plano Nacional de Direitos Humanos – um Frankenstein que se volta contra seu criador

13/01/2010
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Boris karloff Frankenstein

Tenho um sobrinho que quando era menino, costumava lançar bravatas divertidas contra os “malfeitores” da época – garotos maiores do que ele que batiam nos demais, bandidos e vilões em geral.  Bastava perguntar qual era o plano para eliminar os vilões e ele respondia animado“a gente dá uma rasteira neles, toma o revólver, daí eu dou uma voadora na cara deles e depois amarramos todos até a chegada da polícia”

O PT nesses últimos anos está provando o gosto amargo dessa síndrome de super-herói. Quando era oposição e não tinha conquistado o poder, vivia espalhando aos quatro ventos que “fazia e acontecia”, uma vez que conseguiu sentar-se no trono dos poderosos, vai aos poucos desbotando o tom forte do vermelho característico de sua bandeira.

Primeiro foram os escândalos envolvendo personalidades históricas do partido. Afasta um daqui, põe outro acolá no freezer. Ninguém sabia de nada, tudo resolvido. Agora saem-se com essa do plano de direitos humanos, outro episódio lastimável. Pressionado por  alas mais radicais do partido, o governo propõe um plano que consegue em poucos dias cutucar feridas que não estão completamente cicatrizadas, indispor-se com setores representativos da igreja, das Forças Armadas e de quebra causar racha na própria equipe que o elaborou. Não é pouco.

Numa avaliação complacente, o partido está demonstrando ter contraído a “síndrome de super herói”, ou seja, tudo podia e faria pelos mais altos ideiais e uma vez na frente dos “vilões”, demonstra-se tão capaz quanto uma criança de oito anos em por em prática a teoria. Tal qual o monstro criado pelo Dr. Victor Frankstein do livro de Mary Shelley, o plano de direitos humanos está se voltando contra seus criadores.  Meu sobrinho cresceu e sente um pouco de vergonha quando relembramos dos rompantes da infância. Quanto ao governo, de intenções, o partido está cheio.

O Wanderley, a Kyoko e o novo acordo ortográfico da língua portuguesa

12/01/2010

 

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Cansados de viver na clandestinidade lingüística, Vanderlei e Quioco resolveram radicalizar. Eles que se amavam loucamente desde  o dia em que se conheceram, haviam passado boa parte do tempo encontrando-se às escondidas em horários e locais escusos para não levantarem suspeitas. Na prática da gramática, sequer podiam existir a não ser pela obscenidade rebelde de alguns poucos gramáticos que apoiavam secretamente a existência de estrangeirismos. Para a maioria dos respeitáveis teóricos da lingua portuguesa eram uma aberração fonética. Ele, com a coragem heróica de sua genética européia, transformou-se em Wanderley. Ela, submissa e leal ao namorado, passou a chamar-se daquele momento em diante, Kyoko.
O mundo não seria o mesmo. Kyoko tornou-se vendedora de muambas da Coréia e nas horas vagas servia  lingüiça de procedência duvidosa.
Wanderley montou uma barraquinha na praça da República,
tornou-se encantador de jibóias e missionário de uma seita afro-dadaísta, abusando descaradamente da boa fé daqueles que creêm.
Viviam felizes em sua vida de crimes ortográficos e gramaticais, até que um dia os governantes dos países lusófonos inventaram o novo acordo ortográfico da lingua portuguesa e tudo voltou ao zero.
As jiboias tornaram-se ariscas e passaram a tentar engolir o pobre Wanderley. A receita da linguiça de Kyoko atraiu a atenção de um famoso frigorífico e passou a ser distribuída em rede nacional, as muambas da Coreia já não eram mais as mesmas e podiam ser encontradas em qualquer loja. Até mesmo o nome do casal passou a ser aceito e respeitado pelos gramáticos. A vida de Wanderley e Kyoko ficou sem graça como uma música do Chico Buarque pós regime militar, não havia mais o que arguir.

Wanderley, inconformado, soltando fogo pelos pelos do nariz, alugou um avião e num voo cego lançou-se no ar de paraquedas, consciente de que o artefato, grafado daquela
forma, jamais poderia abrir. Espatifou-se no chão e não teve tempo de saber que Kyoko estava sentindo estranhos enjoos e trazia
no ventre o fruto de um amor bandido.
Enquanto isso, em algum lugar do planeta, uma antiga paixão platônica de Wanderley, a Gisele, desfilava na passarela, mostrando que nem tudo estava perdido, pois Gisele, mesmo tendo se casado e se tornado mãe, continuou com o delicioso  trema do Bündchen  dela  no lugar.

Para saber mais sobre o novo acordo ortográfico:

Abril.com

Conversor de texto para o novo acordo ortográfico

Brasil Escola

Guia do Acordo Ortográfico da Editora Moderna (em pdf e ilustrado a cores)

Guia Prático da Nova Ortografia da Editora Melhoramentos (formato pdf)

Uma velha canção inglesa cantada ao mesmo tempo por 156 países (incluindo Brasil)

12/01/2010

1967. A banda formada pelos quatro rapazes de Liverpool, The Beatles já tinha conquistado o mundo. Naquele ano, a tecnologia dava mais um salto tornando possível a transmissão ao vivo via satélite. O canal de televisão inglês BBC convidou John Lennon e Paul McCartey, líderes dos Beatles para participarem compondo uma música para ser executada na primeira transmissão mundial ao vivo via satélite recepcionada simultaneamente por 26 países.  John Lennon compôs a canção All You Need is Love. O evento foi um marco na história recente das comunicações e a música tornou-se o hino da geração hippie.

 

 

2009. 07 de dezembro. A rede norte-americana de cafeterias Starbucks reúne cidadãos de  156 países para executarem simultaneamente a mesma música dos Beatles, All You Need is Love para divulgar o Starbucks Love Project, destinado a recolher fundos para eliminar a Aids na África.

O clip constrói uma belíssima metáfora de um sonho compartilhado por idealistas de todos os tempos, incluindo o próprio autor da canção, John Lennon – Uma Humanidade  sem preconceitos trabalhando unida em torno de um mesmo objetivo.

Clique aqui para acessar o site do Starbucks Love Project

Letra eTradução de All You Need is Love (extraída do site Letras.mus.br)

All You Need Is Love

(Tudo O Que Você Precisa É De Amor)

Love, love, love
Amor, amor, amor

 

There’s nothing you can do that can’t be done
Não há nada que você possa fazer que não possa ser feito

Nothing you can sing that can’t be sung
Nada que você possa cantar que não possa ser cantado

Nothing you can say, but you can learn how the play the game
Nada que você possa dizer, mas você pode aprender como jogar o jogo

It’s easy
É fácil

 

There’s nothing you can make that can’t be made
Nada que você possa fazer que não se possa fazer

No one you can save that can’t be saved
Ninguém a quem você possa salvar que não possa ser salvo

Nothing you can do, but you can learn how to be you in time
Nada que você pode fazer, mas você pode aprender como ser com o tempo

It’s easy
É fácil

 

All you need is love
Tudo o que você precisa é de amor

Love is all you need
Amor é tudo o que você precisa

Love, love, love
Amor, amor, amor

There’s nothing you can know that isn’t known
Não há nada que você possa saber que não possa ser conhecido

Nothing you can see that isn’t shown
Nada que você possa ver que não possa ser visto

Nowhere you can be that isn’t where you’re meant to be
Nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você quer estar

It’s easy
É fácil

 

All you need is love
Tudo o que você precisa é de amor

Carta aos garis do nosso país

07/01/2010

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Prezados Senhores Garis,

Não tenho certeza se todos os senhores lerão  essa carta. Não faz mal. A falta de acesso à internet para uma ampla maioria dos brasileiros não é culpa dos senhores. É responsabilidade de uma elite que causa obstáculos não apenas ao mundo virtual como ao real. Um dia isso deve mudar. A esperança é a última que morre. Aliás se ela de fato goza desse privilégio, certamente estará viva para assistir à morte do preconceito e da truculência intelectual do qual os senhores foram vítimas.

Os valores dessa sociedade são claramente invertidos e perniciosos. A começar pelo menosprezo e desprestígio que a profissão dos senhores sofre por uma parcela significativa, demonstrado recentemente pelo comentário infeliz do Sr. Boris Casoy. Infelizmente, temo que as palavras do prestigiado jornalista, escapadas de soslaio diante dos equipamentos que deveriam estar desligados, representa o pensamento de um certo setor.

Azar deles. Mais, azar de todos nós. Em qualquer sistema com um mínimo bom senso, uma profissão como a dos senhores deveria ser valorizada e recompensada com os mais altos salários do país. Quem mais teria coragem para remexer e eliminar o vasto e putrefeito lixo humano? Poucos. Claro que convém lembrar que o falido sistema social no qual vivemos obriga cidadãos com menos acesso a educação e portanto com menos chances de escolher profissões “glamurosas”, a abarcar a profissão de lixeiro não como uma opção, mas pela falta de outras.  Isso não invalida a dignidade e estatura dos senhores que diariamente manipulam e recolhem os restos desprezados por nossa sociedade consumista e hipócrita.

Quanto ao senhor Bóris Casoy, no mais um excelente profissional, tenho convicção que os senhores saberão perdoá-lo, posto que o menosprezo demonstrado pelo jornalista só pode ser fruto de um preconceito arraigado em um sistema de valores distorcido e só resta parafraseá-lo, “isso é um vexame!” e tenho cá minhas suspeitas de que se tratando de um profissional com um vasto e respeitável currículo, ele certamente deve estar envergonhado pelo que declarou. Resta a todos nós a conduta inspirada pela profissão dos senhores – vamos desconstruir as lastimáveis idéias jogadas ao vento pelo senhor Casoy e ensacá-las com muito cuidado para que sejam depositadas no lixão das declarações infelizes no qual junto com tantos outros preconceitos possa desintegrar ao sol sem destilar a pestilência e o mau cheiro dos quais são feitos nas narinas de profissionais dignos e nobres como os senhores são.

O dia em que nossa sociedade conseguir entender que um lixeiro é tão importante quanto um doutor, certamente não teremos mais esse tipo de  lixo  no mundo.

Dalva e Herivelto – paixão e sofrimento produzindo arte

07/01/2010

herivelto2 Na história da Humanidade frequentemente a arte está associada a paixão e muitas vezes ao sofrimento. Apesar de não ser condição Si ne qua non para a produção artística, inúmeros casos ilustram que o artista, quando atormentado pelo sofrimento, é capaz de produzir obras primas.

Para citar alguns exemplos – Van Gogh no auge da perturbação presenteou o mundo com quadros imortais. O músico Eric Clapton, diante da dor da perda do filho num acidente doméstico, compôs uma das mais belas canções dos últimos tempos, Tears in Heaven. Clarice Lispector, cujas entrevistas deixava transparecer um sofrimento primordial em relação a existência humana, escreveu verdadeiras pérolas da litetura unversal. Com Dalva e Herivelto, a coisa não foi diferente.

O autor de uma das mais belas canções da música popular brasileira, Ave Maria no Morro, foi autor de uma enxorrada de músicas inesquecíveis quando se separou da cantora Dalva de Oliveira, que por sua vez retratou com singularidade a dor do abandono e da mágoa interpretando com perfeição queixas, lamúrias e respostas às composições do ex-marido Herivelto compostas por amigos do casal.

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Clarice Lispector, Beethoven, Eric Clapton e Van Gogh

Até mesmo o ator Fábio Assunção, afastado do cenário artístico para tentar livrar-se do vício das drogas, dá mostras que o sofrimento e as batalhas que viveu estão auxiliando no necessário amadurecimento para compor um Herivelto verossímil.

Para nós, pobres mortais, não agraciados com a genialidade, resta reagir diante das tragédias da vida como podemos, aos gênios,como Beethoven e tantos outros que fizeram da dor um estímulo para agraciar o mundo com maravilhas, resta a merecida imortalidade…

Letras das músicas de Herivelto Martins

Blog do fã clube de Dalva de Oliveira

Se você gostou dessa matéria, leia também essa:

Dalva e Herivelto : um banho de emoção

Crônicas Cotidianas – Susaninha a foca entrevista a deputada Zalú

07/01/2010
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O Almeida estava impaciente. Naquele dia a redação do jornal parecia final de campeonato. Repórteres circulando  feito baratas tontas, um calor dos diabos. E ainda tinha a Susaninha,filha do senador Aristides. Uma morena bonita e graciosa de  vinte e dois anos, mas que estava mais  para anta do que foca…e pior, ia começar no jornal bem no dia em que pegaram um peixe grande da política com a boca na botija! Precisava se livrar da encrenca o quanto antes. Chamou o fotógrafo aos berros.

- Rafa, trata de acompanhar essa flor na primeira matéria dela e vê se tira umas fotos decentes dessa vez!

- Sim senhor! Onde vai ser ? Perguntou o Rafa de máquina a tiracolo.

- Gabinete da deputada Zalú. Não é que a danada da foca conseguiu uma exclusiva com a autoridade…?!

- E onde está a pauta?

- Como é que vou saber !?! È um papel amarelinho que deve estar aí nessa bagunça em cima da mesa.

Chegaram com uma hora de atraso no escritório da deputada. No caminho, a Susaninha lia mentalmente a pauta enquanto  relembrava as lições que tivera na faculdade. “Ousadia era com z ou com s?” perguntou-se aflita. A assessora da deputada já estava na recepção do prédio.

- Puxa, pensei que não viessem mais! Disse a assessora passando a mão na vasta cabeleira loira.

- Desculpe Dona Matilde, o trânsito está terrível. Respondeu Susaninha sem graça enquanto o Rafa coçava a cabeça.

- Tudo bem, acontece. Vamos logo com isso que a deputada Zalú precisa tomar o vôo para Brasília ainda hoje. Como você veio bem indicada não vou tomar nosso tempo lendo as perguntas, posso confiar no seu bom senso, certo? Perguntou a assessora sem tirar os olhos do papel.

- Firmeza. O editor chefe ajudou a preparar. Não tem como errar. Respondeu a foca com um sorriso amarelo.

Entraram no escritório . O tapete vermelho era tão grosso que os pés desapareciam da vista. A deputada Zalú aguardava impaciente.

- Olá Susana, mande um abraço pro seu pai. Pena que vocês atrasaram tanto. Senta minha filha, querem um refresco, um café?

- Não obrigada. Podemos começar a entrevista?

- Com certeza meu amor. Você sabia que eu e seu pai estudamos juntos no colégio?

- Sabia. Ele fala muito bem da senhora. Posso fazer primeiro as perguntas e quando terminar o Rafa tira as fotos ?

- Claro meu anjo.

Susaninha puxou o papel amarelo.

- Quando foi a primeira vez da senhora?

A deputada se ajeitou na poltrona.

- Primeira vez? Ah,  primeira candidatura você quer dizer. Em 1970, quando fui eleita vereadora por São Paulo.

- E qual foi o máximo de clientes que a senhora teve?

- Você quer dizer eleitores não é? Não acha clientes uma palavra inadequada? Foram tantos que nem saberia quantificar. Respondeu a deputada se remexendo na poltrona

- E como satisfazer as vontades de tantos clien..quero dizer eleitores diferentes?

- Isso de fato é difícil, mas quando a intenção é boa, de se doar para o próximo, a gente acaba indo de encontro ao gosto popular.

- A senhora sofre muito preconceito por causa da profissão?

A deputada Zalú ficou enrubescida.

- É uma profissão como outra qualquer, estranhas essas perguntas, não acha ?

- De maneira alguma. O jornal para o qual trabalho tem um compromisso sério com os leitores.

- Sei.  Vamos logo que o tempo está acabando.

- Está bem. Faltam apenas seis perguntas para as fotos. A senhora sente prazer na relação com os…eleitores?

- Até que enfim uma boa pergunta! Eu adoro o eleitorado, me dá muito prazer estar com eles.

- A senhora gosta de apanhar mesmo deles ou faz isso apenas para manter a imagem?

- Agora chega! Esse jornaleco está indo longe demais. O Aristides que me perdoe. Vamos  tirar essas  fotos para acabar logo com isto, onde já se viu que falta de respeito!

O Rafa estava espremido na cadeira sem coragem de tirar os olhos da pauta. A deputada se  levantou e ajeitou o tailler.

- Vamos para a sessão de fotos menino?

- Acho melhor não. Respondeu o fotógrafo constrangido.

- Qual o problema Rafa? Perguntou a Susaninha com ar ingênuo.

- Aqui na pauta está pedindo para tirar fotos da deputada sem a blusa, só de sutiã!!! Cochichou o Rafa no ouvido da colega.

A assessora da deputada irrompeu pela sala com o telefone na mão. Era o Almeida.

- Alô. Susaninha?  Pelo amor de Deus me diga que vocês não usaram  a pauta que o Rafa levou!

- Porque chefe?

- A pauta da deputada ficou em cima da minha mesa. Vocês levaram por engano a pauta da entrevista da cafetina Neruska Maruska, rainha do sado-masoquismo!

Foram necessários dois meses de envio de flores diariamente para que a deputada Zalú voltasse a falar com o senador Aristides . Por causa do  incidente, o jornal do Almeida preparou às pressas uma série de cinco reportagens no caderno de domingo sobre a biografia da deputada. O Rafa  e a Susaninha passaram três semanas fazendo matérias sobre os esgotos em céu aberto na periferia da cidade. Vida de foca não é fácil.

Meu Brasil é com “s”

06/01/2010

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Faz tempo que se utiliza a grafia do nome do nosso país com “z” –  “Brazil” como um símbolo da influência estrangeira .  São muitas as referências ao tema. Algumas vem da música, respectivamente uma bossa cantada  pela improvável dupla Rita Lee e João Gilberto “Meu Brasil é com s” e a música do Aldir Blanc “Querelas do Brasil” interpretadapela Elis numa gravação  insuperável(Veja as letras dessas músicas no final da crônica).

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Entretanto, de acordo com pesquisas históricas, “Brazil” grafado com “z” não foi uma invenção estrangeira, mas sim nossa. A forma de grafar o Brasil com “z” foi utilizada no decorrer da nossa história alternadamente com o  “s”. O que não existiu por muito tempo foi uma padronização pois não tínhamos nem mesmo uma Academia Brasileira de Letras e apenas em 1945 Brasil e Portugal acertaram um acordo ortográfico que incluiu adotar oficialmente o Brasil com “s”. Como uma boa parte do mundo já tinha impresso documentos com “z”, ficou assim. A prova está numa reprodução inserida abaixo de uma cédula  de mil  réis anterior a 1917 na qual pode-se ler “República dos Estados Unidos do Brazil”.

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brasilolho Os companheiros de geração devem se lembrar (1960, el tiempo pasa amicos!) o quanto nossos pais nos enrolaram com a expressão “O Brasil é o país do futuro”. Qualquer deficiência nacional nos últimos quarenta e tantos anos era resolvida em última instância, sem direito a réplica, com a surrada frase.  O tempo passou e por incrível que pareça nossos pais não estavam tão errados assim, se por um lado falta muito para o Eldorado prometido com leite e mel escorrendo pelas torneiras, por outro não vamos tão mal assim, se não somos o país do futuro ,pelo menos a coisa promete ficar no empate, o que para a surrada auto estima nacional, já e lucro.

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Os problemas atuais do Brasil nem são relacionados ao Brazil, para utilizar a referência. A economia vai dando sinais de desenvolvimento, temos um momento histórico singular no qual a família média brasileira conta com uma configuração de renda bastante favorável, as políticas sociais diminuem gradativa mas continuamente o detestável desnível de classes. Ou seja, as plataformas para a construção de um futuro viável estão todas em cena. Assistimos recentemente até mesmo o que poderia ser considerado um delírio surrealista há cerca de uma década – oferecer ajuda ao FMI! Uma notícia como essa seria motivo de uma guia de internação em qualquer hospício para o jornalista. Hoje, virou fato.

Decepcionante e retrógada continua sendo mesmo a nossa classe política. Para esses, nem Brasil, nem Brazil, é Brasiú mesmo. Nunca a roubalheira foi tanta e tão descarada. Somos espectadores de um descaramento sem precedentes na história recente na refinada arte de apropriar-se do alheio, “apropriar-se” no caso um eufemismo para “roubar” e “alheio” para o seu, o meu e o nosso dinheiro pago em impostos que se esparramam feito carrapicho pelos produtos e serviços consumidos ou desejados por toda a nação. Se fosse o caso de aplicar leis severas como se faz em alguns países árabes e cortar a mão dos infratores, os espetáculos artísticos em Brasília iam ser todos cancelados por falta de público apto  a bater palmas.

Por essas e outras, talvez tenhamos que dizer aos nossos filhos quando perguntados sobre a roubalheira cotidiana que a mídia estampa em nossas casas –” Não tenha pressa, O Brasil é o país do futuro” ou pior, reproduzir a frase que certa vez li num muro e que volta e meia ressurge mais atual do que nunca ´”A solução para o Brasil é devolver para os índios e pedir desculpas”

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João Gilberto

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-Letra de Brasil com “s” (João Gilberto)

Quando Cabral descobriu no Brasil o caminho das Índias
Falou ao Pero Vaz para Caminha escrever para o rei
Que terra linda assim não há com tico-ticos no fubá
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
O caçador de esmeraldas achou uma mina de ouro
Caramuru deu chabu e casou com a filha do Pajé
Terra de encanto, amor e sol,
não fala inglês nem espanhol
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
E pra quem gosta de boa comida aqui é um prato cheio
Até Dom Pedro abusou do tempero e não se segurou
Oh, natureza generosa, está com tudo e não está prosa
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
Na minha terra onde tudo na vida se dá um jeitinho
Ainda hoje invasores namoram a tua beleza
Que confusão veja você, no mapa-múndi está com Z
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.

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Maurício Tapajós e Aldir Blanc

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Letra de “Querelas do Brasil” (Maurício Tapajós e Aldir Blanc)

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapi, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aquiataúde
Piau, carioca, moreca, meganha
Jobim akarare e jobim açu
Pererê, camará, gororô, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E marionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos do jobim açu
Gererê, sarará, cururu, olerê
Ratatá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Tinhorão, urutú, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará
Cascadura, Água Santa, Pari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Do Brasil S.O.S. ao Brasil

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